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18/03/2011

254 homossexuais assassinados no Brasil em 2010. Triste recorde

Infelizmente, mais uma vez o Brasil foi um dos campeões mundiais em crimes homofóbicos. E devemos dar nome aos bois: isso ocorre porque o governo federal não agiliza para aprovar a lei que criminaliza a homofobia e outras leis reivindicadas pelo movimento LGBT.

A atual inicativa de setores do PT, capitaneados por Marta Suplicy, significa uma resposta que eles precisam dar à sua base social de apoio (maioria das ONGs LGBT). Mas é impossível que tais setores sejam consequentes, pois seu governo está de mãos dadas com a bancada evangélica. É preciso muita mobilização e mais politização nas paradas, apoiando nossos verdadeiros aliados (como Jean Wyllys) para que tenhamos nossos direitos reconhecidos!

Escrito por Francisco Bicudo 06-Mar-2011


A senadora Marta Suplicy conseguiu desarquivar no Senado, no último dia 8 de fevereiro, o projeto de lei (PLC 122/2006), que criminaliza a homofobia e iguala essa prática ao racismo. A proposta, originalmente apresentada pela então deputada federal Iara Bernardi, também do PT de São Paulo, tinha sido aprovada na Câmara dos Deputados em dezembro de 2006 e voltará agora a ser apreciada pelos senadores, inicialmente nas comissões de Direitos Humanos e de Constituição, Justiça e Cidadania, antes que possa ser votada em plenário.

É um passo importante na luta pelo respeito irrestrito aos direitos dos homossexuais, que sofrem com as perseguições e os preconceitos que se revelam em diferentes segmentos da sociedade (poder judiciário, forças armadas, religiões) e que se manifestam em distintos espaços públicos (escolas, ruas e avenidas, shopping centers, clubes e estádios). 

As raízes dessa intolerância estão conectadas ao machismo colonial e ao desejo de manter a supremacia branca no Brasil, principalmente depois da Independência, em 1822, e da abolição da escravatura, em 1888. Em reportagem publicada pela revista Pesquisa Fapesp, o sociólogo Richard Miskolci, estudioso do tema, usa como um dos exemplos desse projeto "branco-machista" o livro "O Ateneu", de Raul Pompéia, um clássico do movimento realista no país. 


Para o especialista, a obra revela como o "fantasma a assombrar os homens de elite parece ser – muito mais do que o desejo pelo mesmo sexo – a possibilidade de ser tratado, ou maltratado, como uma mulher. O romance de Raul Pompéia, datado de 1888, mostra, assim, como ocorre o disciplinamento da masculinidade: há práticas "pedagógicas" violentas, combatendo e desqualificando qualquer traço de personalidade que pudesse ser associado ao feminino. Ou seja, mais que a homossexualidade, o que se pretende conter, pelas lentes de O Ateneu, é a existência de "efeminados". 

Disposto a colaborar com o debate e acreditando sempre na informação como instrumento de transformação e de superação dos preconceitos, o blog conversou, com exclusividade, com o antropólogo Luiz Mott, paulistano, 65 anos, formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do Grupo Gay da Bahia (vive em Salvador há 32 anos e é professor aposentado de Antropologia da Universidade Federal da Bahia, a UFBA). 

Nessa entrevista, ele fala sobre crimes cometidos contra homossexuais, analisa as origens e razões da intolerância e enumera ações para superar a truculência, além de condenar a polêmica a respeito dos kits contra a homofobia produzidos pelo Ministério da Educação e que deverão, com apoio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), ser distribuídos em seis mil escolas públicas do país. "Esperamos que a presidente Dilma tenha a sensibilidade necessária e vontade política para avançar no enfrentamento das ameaças que estão colocadas para os homossexuais", diz.


Aumento da violência contra homossexuais e visibilidade midiática


"De todas as chamadas minorias, os gays, lésbicas e travestis são as principais vítimas da intolerância, porque sofrem preconceito dentro da própria casa. São pais e mães que agridem, que xingam, que chutam, que batem e expulsam os filhos dos lares. É diferente do que em geral acontece por exemplo com judeus, negros ou portadores de deficiências, que são acolhidos e recebem apoio paterno e materno para enfrentar o preconceito. A homofobia institucional e cultural também pesa muito nas escolas, no exército, nas igrejas e na política, que ainda enxergam o gay como marginal.

A violência contra os homossexuais, portanto, vai dos insultos às agressões físicas e aos assassinatos. O Brasil lamentavelmente ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos de homossexuais. Em 2009, foram 198 assassinatos. Esse número chegou a 254 no ano passado. O aumento de violência letal tem sido acompanhado pelo crescimento de casos de agressão física em locais públicos, nas ruas, como aconteceu recentemente em São Paulo e no Rio de Janeiro, e que receberam atenção da imprensa.

Mas não se trata apenas de visibilidade maior oferecida pela mídia. Há infelizmente um aumento real do número de casos de mortes e de agressões. Um aspecto positivo a ressaltar é que essa visibilidade, por conta da pressão das paradas e de ações afirmativas, tem levado muitos gays e lésbicas a ter mais coragem de assumir a homossexualidade e a demonstrar carinho em público, a andar abraçados, de mãos dadas. Ao mesmo tempo, esse comportamento provoca a ira e a intolerância dos homofóbicos de maneira ainda mais intensa.


Portanto, temos de pensar em três questões principais e conectadas: a visibilidade, o crescimento da violência e a incompetência da polícia e da justiça em reprimir esses atos e em garantir a segurança de todos os cidadãos". 

Em defesa do ensino técnico público e de qualidade: Não ao PRONATEC!

Nota do Coletivo Estudantil Vamos à Luta


Foi anunciado pela presidente Dilma Roussef em seu primeiro pronunciamento oficial na TV a criação do Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec). Esse novo programa consiste na criação de bolsas para jovens concluintes do ensino médio em escolas técnicas privadas, em troca de isenções fiscais para os mesmos. Algo muito parecido como funciona hoje o projeto Universidade Para Todos (PROUNI).

No Brasil atualmente, de acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), 24,1% da juventude brasileira nem trabalha nem estuda (o equivalente a 2,4 milhões de pessoas). O Brasil é o sexto país no ranking de homicídios entre jovens no mundo. Esses dados demonstram por si só a dramática situação de marginalidade que vive boa parte de nossos jovens, crianças e adolescentes.


O acesso a educação de qualidade tem sido cada vez mais restrito, pois apenas 11% dos jovens brasileiros que tem entre 18 e 25 anos tem acesso ao ensino superior em nosso país. Destes 11%, cerca de 80% estão em instituições privadas. Para isso, os sucessivos governos (FHC, Lula e agora Dilma) avançam no projeto de privatização da educação pública brasileira. Se proliferam os números de Faculdades privadas de qualidade duvidosa que são maioria das instituições superiores de ensino. A educação sofre o terceiro maior corte de verbas com R$ 3,10 bilhões a menos.


Projetos de expansão sem qualidade como o REUNI e o PROUNI são apresentados como saída para o acesso a universidade. O ENEM, mais uma vez, em 2010 expôs as inúmeras debilidades que este exame tem para avaliar e proporcionar acesso a universidade com vazamento de prova e erros de impressão e elaboração.


O PRONATEC foi anunciado por Dilma como mais uma possibilidade de acesso a educação, com a geração de bolsas em escolas técnicas privadas em troca da isenção de impostos aos tubarões da educação e sem a criação de nenhuma nova vaga ou instituição pública de ensino. Não é dificil prever quais serão as consequências da implantação do mesmo nos marcos atuais se no ensino superior a qualidade já é ruim (nas faculdades pagas, quando lhes é assegurado em lei a desobrigação com a pesquisa e extensão) o que dirá nas escolas técnicas privadas, que em sua maioria carecem de estrutura física e existem num número muito reduzido e fragmentado em todo o país.

O Censo Escolar de 2009 mostra que a iniciativa privada possui 48,2% das matrículas da educação profissional. A União oferece 14,3%, os estados oferecem 34,3% e ainda temos 3,3% sendo oferecidos por municípios.


O governo Dilma mais uma vez toma uma medida para favorecer não a juventude, mas para criar ilusões no conjunto da mesma com esse tipo de projeto. Dessa forma o governo demonstra que opta por governar para os de cima, garantindo a proliferação de escolas técnicas que surgirão para beneficiar os empresários da educação e em pouco tempo teremos uma grande massa de mão-de-obra barata no país, seguindo sem acesso a educação de qualidade.


O Coletivo Estudantil Vamos à Luta entende a importância do ensino técnico profissionalizante para uma grande parcela da juventude, que precisa de um emprego para não se tornar parte dos alarmantes números policiais que existem hoje. Entretanto, é preciso que esses cursos sejam públicos, assegurados pelo governo a partir do investimento de 10% do PIB na educação, derrubando o veto de Lula sobre a destinação dos 50% dos royalties do Pré-sal para a educação e suspendendo o pagamento dos trilhões que são destinados a dívida pública. Dessa forma é possível garantir novas vagas e novas instituições de ensino profissionalizante, melhorar a qualidade das escolas públicas e garantir que toda nossa juventude tenha acesso a universidade. Achamos importante a resolução do Encontro de Grêmios da UBES que votou resolução contra o PRONATEC. É preciso materializar essa posição com campanha nos colégios em todo o Brasil contra mais essa artimanha do governo para enganar a juventude. Apoiamos a proposta de um plebiscito em 2012 que decida os 10% do PIB para a educação. Precisamos de uma jornada de lutas do ME secundarista que combata o PRONATEC e em defesa de mais verbas para a educação. Vamos à Luta!

01/06/2010

DCE da UFRGS É INVESTIGADO POR SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

Vamos à Luta apóia a Investigação!

O DCE da UFRGS será investigado por “suspeita” de corrupção. Em uma histórica reunião do Conselho de Entidades de Base (CEB), com a presença de mais de 100 pessoas e com a representação de  28 centros CAs e DAs, realizada em 27 de mai, na Faculdade de Economia, foi formada uma comissão estudantil de investigação para apurar as graves denúncias feitas por Régis Antonio Coimbra, ex-advogado da gestão e integrante do MEL.

Relatos de fatos apontam na direção da suspeita de apropriação indébita, por parte de membros da atual gestão, do dinheiro do DCE (que é de todos os estudantes da UFRGS). As denúncias não nos surpreendem, pois essa gestão é sabidamente ligada à corrupta Yeda e a partidos políticos como o PP. Essa gestão financiada por grandes empresas, como a Gerdau, não se preocupa com os problemas de nós estudantes, por exemplo, as, cada vez maiores, filas nos RUs, ou a falta de livros nas bibliotecas. Por isso, a repudiamos e solicitamos a comissão estudantil de investigação que apure todas as prestações de contas do DCE e divulgue abertamente o resultado para todos os colegas da universidade.

Nós da Juventude Vamos à Luta somos parceiros de todos os DAs e CAs, e de outros coletivos estudantis na luta contra esse tipo de gestão no DCE, além de exigirmos a apuração da verdade, que deve ser levada a todos os colegas da UFRGS.

20/05/2010

Nota de APOIO e SOLIDARIEDADE ao DCE UFSC “Luís Travassos” e à tod@s @s lutador@s contra o aumento da tarifa e por um transporte coletivo de qualidade
 
Companheiros,
 
Neste momento em que vocês estão enfrentando na mobilização um abusivo aumento de tarifa, queremos lhes enviar essa mensagem de apoio e de solidariedade.
 
Nos últimos anos Florianópolis ficou conhecida como uma das cidades brasileiras em que a tarifa dos transportes coletivos mais subiu e por isso é uma das tarifas mais caras do país. Mas não apenas isso, “Floripa” também ficou conhecida no Brasil inteiro por conter uma população e uma juventude em especial, que não abaixa a cabeça para os abusos cometidos com o transporte público.
 
A luta de vocês que já serviu em anos anteriores como motivadora em outros estados, não é única nem isolada. Há 1 mês atrás enfrentamos os mesmo problemas em Macapá, onde a proposta de reajuste ultrapassava em muito a realidade social da população. Os estudantes sitiaram a Prefeitura e a mesma teve que recuar na tentativa de aumento.
No Pará, mais exatamente nas cidades de Ananindeua e Marituba (região metropolitana) quem está encabeçando a luta pela qualidade nos transportes e pela redução das tarifas é o Sindicato dos Rodoviários, lutando por essas pautas concomitantemente à sua luta por reajuste salarial. Esta luta tem contado com o apoio de entidades estudantis como o DCE da UNAMA (Universidade da Amazônia).
Nestes dois exemplos o que há em comum e o que ocorre em quase todo o país é a aliança quase irrestrita entre as prefeituras e os empresários dos transportes. Além disso, a utilização da violência pelas PM´s de diversos estados contra os que se mobilizam também são algo comum.
Queremos colocar nosso Coletivo Estudantil a disposição da luta aí em “Floripa” com o que for possível ajudar: material humano; campanha de solidariedade financeira; campanha política de apoio ao movimento etc., pois vemos que esse deve ser o papel dos lutadores sempre, apoiar-nos uns nos outros!
 
Por fim, queremos desejar-lhes uma boa luta e que a vitória esteja a nossa espera o mais próximo possível.
 
Venceremos!!!!
 
Niterói, 19 de maio de 2010
Coletivo Estudantil Vamos à Luta!

22/04/2010

Nota sobre a ocupação do novo prédio da Câmara Legislativa do DF


Brasília, 21 de abril de 2010

Nota sobre a ocupação do novo prédio da Câmara Legislativa do DF

O Movimento Fora Arruda e toda a Máfia – criado após o estouro do maior escândalo de corrupção do Brasil, a Caixa de Pandora – continua na luta por uma nova política no Distrito Federal, com a construção de novos 50 anos para Brasília.

Exatamente no cinqüentenário da capital federal, ocupamos o prédio destinado à nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Este ato simbólico busca expressar toda a indignação da população brasiliense com a atual situação política e social em que vivemos. Não podemos deixar que as comemorações dos 50 anos de Brasília sirvam como uma nuvem para camuflar todas as injustiças do DF.

Não podemos aceitar um governador eleito por 13 deputados – dos quais 8 estão comprovadamente ligados às denúncias de corrupção do DF. A escolha de um governador deve ser feita pelo seu povo. Exigimos a impugnação da eleição indireta de Rogério Rosso (PMDB), que esteve a serviço de Roriz e Arruda nas últimas gestões de governo e representa a continuidade dessa mesma política.

O prédio que ocupamos – superfaturado e desnecessariamente grande e luxuoso – não pode abrigar os mesmos corruptos que elegeram Rosso e tentam nos calar com panetone. Ele deve ser destinado às necessidades da população. Sua gestão deve ser feita diretamente pelos movimentos sociais. O primeiro passo para essa conquista é a realização de uma auditoria das obras do prédio, que custou três vezes o valor do orçamento inicial.

Exigimos também uma auditoria das obras da nova rodoviária. Aliás, toda a política de transportes do DF tem que ser questionada. É preciso cancelar o contrato do atual passe livre com a empresa Fácil. Lutamos por um transporte realmente livre, gratuito e de qualidade. Os usuários têm o direito de construir um transporte verdadeiramente público para o DF, participando ativamente das decisões.

Para começarmos a construir outros 50 anos, é fundamental que o atual Plano de Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) seja totalmente anulado. A farsa do Setor Noroeste como um bairro ecológico tem que ser desmascarada. É preciso respeitar a comunidade indígena do Santuário dos Pajés e a biodiversidade. É inadmissível construir apartamentos exclusivos para a elite local, enquanto milhões de pessoas não tem condições adequadas de moradia. A ação cautelar que impede as obras no Noroeste tem que ser cumprida.

Todas as investigações devem ser aprofundadas e os corruptos, punidos. A população deve ter acesso a todos os vídeos do inquérito da Caixa de Pandora. Só quando todos estiverem cientes do que está acontecendo nos bastidores da política, teremos força para construir o poder popular. Nenhuma ação violenta e repressora vai nos parar. Exigimos a demissão do Coronel Silva Filho, da Polícia Militar – responsável por várias agressões criminosas contra o movimento.

Participe dessa luta você também. Venha para a Câmara! Mostre que você também está indignado. Coloque faixas pretas no seu carro, na sua janela ou onde mais a criatividade deixar. Poder para o povo!

http://foraarrudaetodamafia.wordpress.com/

21/04/2010

CARTA ABERTA


O movimento estudantil brasileiro hoje, em cada instituição de ensino, continua travando as lutas de resistência contra os ataques à universidade brasileira dos governos estaduais e federal. Isso se dá pela ausência de financiamento público, que não garante os concursos públicos e a qualidade da educação, pela expansão do ensino superior público sem qualidade, que o descaracteriza e fragiliza, e pela expansão do ensino privado de perfil mercantil e precário.

Os coletivos abaixo assinados, reunidos em Uberlândia/MG no dia 08 de Abril de 2010, em virtude da calourada do DCE UFU, considerando a grande dispersão do movimento estudantil, e da necessidade da construção de uma frente de lutas, que consiga nacionalizar as pautas que estão sendo travadas em cada uma das universidades, e travadas, convida a todos/as à reunião no dia 23 para discutir os rumos de uma possível nova Frente de Mobilização, o local pode ser na UNIRIO as 18hs. Caso tenham sugestão de outro local favor responder.

Enviamos em anexo a relatoria desta reunião, e a carta que deu origem a ela, construída no Fórum Social Mundial Temático, em Janeiro de 2010 em Salvador.

CONTRAPONTO

VAMOS À LUTA

REBELE-SE

DIALOGAÇÃO

VIRAMUNDO

INDEPENDENTES

19/04/2010

SINDICATO DOS SERVIDORES DA UFF SE SOLIDARIZA COM AS VÍTIMAS DOS DESABAMENTOS

A culpa não é nossa, é dos governantes!


O Sintuff se solidariza com as famílias vítimas do descaso dos governantes. E, desde já, se soma à campanha de arrecadação de donativos aos desabrigados.
No dia 05/04, o presidente Lula se encontraria com o governador Sergio Cabral para celebrar mais uma inauguração de obras do PAC. Essa inauguração não aconteceu. A chuva torrencial deixou as obras do PAC e centenas de casas debaixo das águas, destruídas e desmoronadas. No entanto, o presidente e o governador se reuniram no Copacabana Palace para dar declarações à imprensa. Tristes declarações! Foram as mesmas desculpas que o governador Sergio Cabral repetiu para justificar a tragédia em Angra dos Reis: “a culpa é dos moradores das comunidades que residem em áreas de risco”. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, completou responsabilizando a natureza pelo desastre.

Descaso das autoridades é o verdadeiro responsável por essa catástrofe

As verbas do Ministério de Integração destinadas à prevenção de catástrofes têm sido minguadas. A auditoria do Tribunal de Contas da União mostra que os recursos distribuídos e efetivamente aplicados são insignificantes. Entre 2004 e 2009, dos R$ 358 milhões destinados a essa rubrica, apenas 0,65% foram para o estado do Rio de Janeiro.

Cadê o dinheiro dos royalties que deveria ser investido em benefício da população?
Semanas atrás, o governador chorou diante das câmaras de TV apelando à sensibilidade da população, ameaçando de que se fosse retirado o dinheiro dos Royalties se produziria um caos no Rio. Pois o caos se produziu, ficando claro que nunca foi destinada verba do orçamento para melhorar a vida dos trabalhadores e do povo pobre, pois foram recebidos 7 bilhões ao ano durante cinquenta anos. Sergio Cabral foi capaz de chorar pelos royalties, mas não derramou uma lágrima pelas famílias atingidas pela catástrofe.
O governador pretende ressalvar sua responsabilidade, jogando a culpa na população pobre. Isto sim é uma COVARDIA. Uma grande parte dos moradores do estado constrói suas casas nos morros porque não têm alternativa, pois não existe nenhuma política para acabar com o déficit habitacional e garantir a construção de casas populares.
Os trabalhadores e moradores do estado do Rio de Janeiro passaram a noite em claro nos engarrafamentos, conseguindo chegar em casa somente na manhã do dia seguinte e sem saber como iriam encontrar seus familiares. Enfrentaram inundações e desabamentos em diversos pontos, com bueiros entupidos, lixo boiando e crateras que se abriam devido à força da água, poças de água que mais pareciam córregos e sob o risco de doenças como a leptospirose. Viram suas casas destruídas e o pior: parentes e amigos soterrados.
Portanto há culpados para essa calamidade que se abateu sobre nós: os governos federal, estadual e municipal.

Niterói: o exemplo máximo do descaso

A cidade de Niterói foi a mais atingida. Os desabamentos de encostas continuam. A cidade já registra mais de cem vitimas. A procura por desaparecidos continua e, a cada dia, são removidos novos corpos. Mais de 2500 pessoas estão amontoadas em abrigos sem condições adequadas de higiene e nenhuma perspectiva de solução.
Assim se desmascarou a farsa da “cidade sorriso”. O Prefeito Jorge Roberto Silveira, que perde horas em reuniões com os especuladores imobiliários e investe somas milionárias em obras e monumentos, não destinou nada para resolver os graves problemas de infra-estrutura da cidade, abandonando os setores mais pobres da população a sua própria sorte.
O inexistente Prefeito, depois de ficar escondido, dormir e acordar tarde como lhe é habitual, teve que acordar mais cedo e sair no terceiro dia de helicóptero para ver a catástrofe e anunciar o “estado de calamidade” da cidade. Uma catástrofe que poderia ter sido evitada se a Prefeitura tivesse colocado em prática os projetos de prevenção elaborados pela UFF. No ano 2006, a pedido da prefeitura, o Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais Urbanos (Nephu) da Universidade Federal Fluminense elaborou um plano de prevenção de riscos de deslizamentos e enchentes com custo estimado em R$ 44 milhões, não implementado até hoje. Na ocasião, foram listados 142 pontos de risco de deslizamento, incluídos todos os que hoje desabaram. Segundo o jornal O Globo (08/04/2010), o projeto contrasta com o orçamento da Prefeitura para as ações de drenagem e intervenções em áreas de risco, que prevê gastos de apenas R$ 13,7 milhões dos R$ 878 milhões das receitas municipais deste ano.
Após esse estudo, nada foi feito para mudar essa situação com a consequência de dezenas de mortes e milhares de desabrigados.

O desabamento do Morro do Bumba teve um alerta ignorado pela prefeitura
O desabamento do Morro do Bumba é a catástrofe da morte anunciada. Mais de 60 casas e dezenas de corpos soterrados debaixo de uma montanha de lixo e lama. Quem visse as imagens na TV, confundiria e pensaria estar assistindo a catástrofe do Haiti. Mas era Niterói, a cidade que as autoridades consideravam das primeiras no ranking em “qualidade de vida”. A Prefeitura de Niterói pagou e ignorou análise encomendada, em 2004, à equipe de geólogos da Universidade Federal Fluminense (UFF). O relatório coordenado pelo geólogo Adalberto da Silva chamava atenção para o Morro do Bumba. “Infelizmente, não foi feita nenhuma obra de contenção ou campanhas educativas para retirar essas famílias de lá”, lamentou o especialista. O prefeito Jorge Roberto Silveira disse, durante visita ao local da tragédia, que desconhecia o estudo. “Ele não é obrigado a saber. Mas a equipe dele tinha o relatório. O que eu vi, me chocou. Pior foi saber que as autoridades foram alertadas e não agiram a tempo”, criticou o geólogo. Segundo ele, o solo do Morro do Bumba estava saturado e nem a presença de Mata Atlântica para absorver o excesso de chuva seria capaz de evitar o desmoronamento. “Existem outros terrenos, que não são lixões, e que também estão em risco. É um processo cumulativo. Não é por falta de conhecimento técnico que aconteceu esta tragédia”, disse.
O mais trágico é que o prefeito Jorge Roberto Silveira calcula gastar R$ 14 milhões para retirar famílias situadas em áreas de risco. O valor, que não inclui o Morro do Bumba, é bem menor que os R$ 19 milhões que serão repassados pelo Ministério do Turismo para a construção de uma torre panorâmica no Caminho do Niemeyer, conjunto de prédios na orla da cidade que foram projetados pelo arquiteto.
O prefeito disse que era criança quando o lixão foi desativado. “Foi há 50 anos, eu tinha apenas seis anos”, afirmou Jorge Roberto, ignorando a data correta, em 1986, conforme informado pela própria prefeitura. Portanto, três anos antes de tomar posse pela primeira vez. O cúmulo da hipocrisia.

Solução imediata para os desabrigados e familiares das vítimas

Frente à crítica situação, exigimos que os governos garantam imediatamente a infra-estrutura necessária e o auxílio às famílias desabrigadas. Que se garanta um abrigo decente, com água potável, comida e atendimento médico até que a situação seja resolvida.
É necessário remover imediatamente todas as famílias em áreas de risco, que se desenvolva de forma imediata um plano para cobrir o déficit habitacional em todo o estado, em especial na cidade do Rio de Janeiro e em Niterói, as mais atingidas, com a participação da comunidade e do corpo técnico da UFF, no caso de Niterói. Deve-se garantir a construção de casas populares para todas as famílias desalojadas e as que morem em áreas de risco. Além disso, que seja elaborado um plano emergencial de obras na infra-estrutura das principais vias e nos bairros para amenizar os efeitos das chuvas.
FONTE: www.sintuff.org.br