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01/12/2010

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/11/25/protestos-contra-aumento-de-anuidades-acabam-em-violencia-na-inglaterra-923104641.asp

Protestos contra aumento de anuidades acabam em violência na Inglaterra
Publicada em
25/11/2010 às 00h59m
Do Independent*

LONDRES - Manifestantes enfurecidos com a proposta do governo britânico de triplicar o preço das anuidades universitárias para US$ 14.500, medida prevista no pacote de austeridade para combater a crise financeira, levaram mais uma vez violência e caos às ruas do Reino Unido, em manifestações que acabaram em violência, com vidros de lojas e carros quebrados, confrontos entre estudantes e a polícia e ao menos 15 jovens presos por atos de vandalismo. Em todo o país, dez universidades foram ocupadas em Birmingham, Cambridge, Bristol, Plymouthinclusive e Londres, inclusive a célebre Bodleian Library, de Oxford, mas no fim do dia os manifestantes se dispersaram. Houve passeatas em Manchester, Liverpool e Brighton. Os protestos ocorrem duas semanas depois que uma manifestação bem maior terminou na invasão da sede do Partido Conservador, contra o plano do governo de triplicar o montante pago pelos estudantes no ensino
superior, no primeiro ato violento no país desde que o premier David Cameron anunciou seu pacote de corte dos gastos públicos. Ontem, dezenas de milhares de estudantes ganharam a adesão de professores e estudantes do ensino médio, que abandonaram as aulas em Winchester, Cambridge, Leeds e Londres para se
juntar às manifestações. Em Londres, uma van da polícia foi atacada perto do Ministério das Relações Exteriores, com os estudantes subindo no teto do veículo, quebrando vidros e urinando sobre uma das rodas. Testemunhas relatam que uma bomba de gás lacrimogêneo foi jogada dentro da van, enquanto os manifestantes, alguns deles cobrindo seus rostos, batiam nas janelas com bastões. No total, ao menos 13 pessoas ficaram feridas - duas delas, membros da polícia. Um porta-voz relatou que um dos policiais foi atingido e ficou inconsciente enquanto tentava conter os manifestantes em Londres, mas foi levado ao
hospital e passa bem. O outro membro das forças de segurança, uma policial, fraturou a mão. Em outras áreas do Centro de Londres a atmosfera era de festa, com estudantes pulando ao som de dance music, enquanto helicópteros da polícia sobrevoavam a manifestação. Cameron, por meio de seu porta-voz criticou a violência dos protestos. - As pessoas obviamente têm o direito de protestar pacificamente e dentro da lei, mas não há lugar para intimidação ou violência - afirmou o premier britânico.
Manifestantes também protestaram em frente à sede do Partido Liberal Democrata, com o estudantes acusando membros do partido de quebrar a promessa feita durante as eleições de que votariam contra o aumento das anuidades. O vice-primeiro-ministro Nick Clegg defendeu a medida do governo durante visita a uma escola em Londres, para lançar o plano de educação da coalizão. - O que se está vendo é um sistema que vai tornar o acesso à universidade muito mais justo do que é atualmente - disse Clegg. - É indecente que mais jovens de escolas privadas consigam ir para Oxford e Cambridge, do que milhares de outros que saem das escolas a cada ano. Queremos mudar isso. Queremos tornar as universidades abertas e acessíveis a todos. Na Itália, um confronto entre estudantes e policiais acabou com pelo menos duas pessoas presas, 27 acusadas de vandalismo e oito agentes de segurança feridos, segundo as autoridades. O protesto é contra uma reforma do Ministério da Educação, que prevê cortes orçamentários para o setor.

(*) Com agências internacionais

29/06/2010

artigo de opinião

Mãos ao alto, professora


JUREMIR MACHADO DA SILVA

As palavras mudam de sentido. Muda uma letra, ou duas, e muda tudo. Craque virou crack. Vida de professor transformou-se em atividade de alto risco. Uma professora foi assaltada, em Porto Alegre, dentro da sala de aula, por um adolescente armado com um revólver enferrujado, calibre 32. O guri era ex-aluno da escola. Houve um tempo, perdido nas brumas do passado, em que professores e salas de aula eram sagrados. Levava-se maçã para a professora. Muitas vezes, a professorinha era o primeiro amor, idealizado, impossível, platônico, de um menino. A sala de aula era o lugar da autonomia do mestre, um templo, um palco, a esfera maior do conhecimento. Acabou.

As balas de hoje destinadas aos professores são de revólver. A situação é tão melancólica, para bem e para mal, que o assaltante não tinha munição. Roubou R$ 10,00 da professora. Essa quantia diz muito, diz tudo, grita como o sintoma de uma doença grave, um mal que está aí, bem aí, mas vai sendo empurrado com a barriga. Talvez a professora assaltada seja uma pessoa sensata, aos 58 anos de idade, e não vá para a escola com muito dinheiro na bolsa. Ou quem sabe, escolada, como todos nós, carregue apenas o dinheiro do transporte e o dinheiro do ladrão. Mais provável é que uma professora, na metade do mês, não tenha mais do que R$ 10,00 para carregar no bolso. Esse é o estado das coisas, o estado ao qual chegamos, o caos.

E os governos, que ainda não fizeram a parte deles, não garantiram sequer a integridade dos professores, desandam a falar em meritocracia, transferindo para os professores, que ganham pouco e são agora assaltados dentro das salas de aula, a responsabilidade pela falência do sistema. Ao defender a tal meritocracia, os tecnocratas e os políticos, falsamente racionalistas, estão dizendo que se algo vai mal é por culpa da preguiça ou da incompetência dos professores. Essa é uma das maiores infâmias destes dias melancólicos em que, paradoxalmente, fala-se em sociedade da informação, mas se faz do saber uma categoria de quinta classe. Escolinha como objeto de desejo de pais e alunos, só de futebol. Nelas, talvez o mestre ainda seja respeitado e receba doces. Nem que seja por medo de se perder lugar no time.

Eu ainda sonho com um Brasil voltado para a escola como espaço sagrado. Isso só acontecerá a partir do momento em que se considerar o ensino como primordial e os salários forem melhorados a ponto de alterar a vida cotidiana e cultural dos mestres. Um professor precisa ganhar o suficiente para comprar livros todo mês, ir ao cinema, ao teatro, a shows, a bons restaurantes, viajar e sempre ampliar horizontes. Quem não valoriza, não pode cobrar desempenho. Mesmo assim, como se diz popularmente, os professores desempenham, "na moral". Sonho com o dia em que será impossível um ex-aluno ou um aluno apontar uma arma para uma professora. Por respeito, por veneração, por amor. Ou, cinicamente, sonho com o dia em que, ao menos, a professora terá R$ 50,00 na sua bolsa.

JUREMIR MACHADO DA SILVA é professor e jornalista
 
* Artigo publicado no Jornal Correio do Povo, edição do dia 17 de junho de 2010.

23/06/2010

Multinacionais na China:Fim da Festa? texto em espanhol

Marcelo Justo

BBC Mundo


Protestas chinas


Flores para los muertos de Foxconn.


Más que paraíso de los trabajadores, China ha sido durante las últimas décadas paraíso de las multinacionales: salarios ínfimos, cero sindicatos, cero huelgas.


Nada mejor para las ganancias empresariales que esa combinación de factores bajo la severa mirada del Partido Comunista Chino (PCCH).



Las cosas están cambiando. El caso de los suicidios en la Taiwanesa Foxcoon y el fuerte aumento salarial concedido por esa compañía y la japonesa Honda Motor son señales de que empiezan a soplar nuevos vientos en ese extraño matrimonio entre multinacionales y un gobierno nominalmente marxista.

Foxconn, la empresa de productos electrónicos que más trabajadores contrata en el mundo, se vio sacudida en lo que va del año por el suicidio de 10 trabajadores y anunció que daría un aumento del 33% de los salarios en medio de serios cuestionamientos a las condiciones laborales de la empresa.



clic Lea también: nuevo aumento en "fábrica de los suicidios"



Honda Motor resolvió una huelga iniciada a mediados de mayo con un aumento del 24%.



Según el China Labour Bulletin (CLB), una publicación sindical china editada en Hong Kong, estos conflictos muestra cambios en la relación de fuerza entre trabajadores y multinacionales.



"Desde principios de década hemos tenido conflictos diarios, pero antes eran mucho más por violaciones de las condiciones básicas, como atraso en los pagos. En los últimos tiempos el motivo principal ha sido una lucha activa por una mejora de las condiciones laborales y salariales", señaló a BBC Mundo el portavoz en inglés de LAB, Jeffrey Crothall.

¿Qué dice el Partido?



En la prensa china las huelgas han tenido un inusual grado de cobertura y apoyo.



"En las tres décadas desde que se abrió la economía, los trabajadores han sido los menos beneficiados por la prosperidad económica. Los paros en Honda iluminan la necesidad de una organización laboral de los trabajadores", señala el Global Times de China.



Las "tres décadas" se refieren al viraje que dio China luego de la muerte de Mao Tse Tung en 1976 cuando, bajo el liderazgo de Deng Xiao Ping, el credo estrictamente comunista fue reemplazado por el de "hacerse millonario es bueno" en una economía abierta al mercado y la inversión extranjera.



En más de un sentido estos objetivos se cumplieron.



Según el informe sobre riqueza en China 2010 del Hurun Research Institute hoy unas 875.000 personas tienen fortunas de más de un millón de dólares.



En 1985 la inversión extranjera directa en China arañaba los mil millones de dólares: 20 años más tarde se ubicaba en torno a los US$60.000 millones.



El problema es que los millones no han llegado a los trabajadores, presunta base política del PC Chino y pilar retórico del discurso comunista.

La clase obrera va al paraíso



Como parte del giro pro-capitalista de Deng Xiao Ping, se suprimió en 1982 el derecho constitucional a la huelga, algo que incrementó la reputación de China como "paraíso de las multinacionales" y dejó a la intemperie a una población china ya debilitada por la sobreoferta de fuerza laboral en el mercado.



Los casos de sobreexplotación por este giro tienen en su extremo las condiciones ultra precarias en las minas (más de 3.000 muertos en 2008) y el trabajo esclavo, que ha incluido casos de explotación infantil.



Esta situación ha generado fuertes debates en el interior del partido y el gobierno, siempre preocupado por el peligro de disturbios sociales en una población de 1.300 millones de personas.

Congreso del Partido Comunista Chino



Congreso del Partido Comunista Chino: entre los trabajadores y las multinacionales



Una señal de estos debates es el apoyo de algunos medios a las huelgas y la aparición de figuras populistas, como Bo Xilai, jefe del Partido Comunista de Chongqing, en el centro del país.



Otro signo es el anuncio a principios de junio de un aumento salarial para los funcionarios públicos de Pekín de un 20%, en línea con lo que viene sucediendo en provincias y municipios del país.



En cambio en una reciente huelga en una empresa algodonera en Henan la policía detuvo a unas 20 trabajadoras acusándolas de "perturbar la producción".



"No hay una reacción monolítica de las autoridades. En algunas ciudades y municipios ha habido una actitud contemporizadora. En otras se ha elegido la confrontación", señala Crothall.

Tendencias profundas



En 2007, a raíz de denuncias de trabajo esclavo, el Congreso Nacional del Partido Comunista aprobó una ley de contratos laborales que modificó el desierto legislativo en la materia.



Tanto la Cámara de Comercio de los Estados Unidos en Shanghai como la de la Unión Europea se quejaron de que la nueva legislación "restringiría la flexibilidad" (argumento europeo) y "tendría un impacto negativo en las inversiones" (argumento estadounidense)



Los conflictos en Honda y Foxcoon han servido de sustento a estas advertencias sobre peligros para el modelo económico chino.



Sin embargo, según algunos análisis, estos cambios en el modelo responden a tendencias socioeconómicas profundas tanto para las multinacionales como para los trabajadores:



*el modelo chino de tejidos productivos significa que cada industria tiene redes de proveedores locales esenciales en el costo final del producto.



*el gobierno chino impulsa un modelo de crecimiento con mayor incidencia del consumo doméstico.



*a nivel demográfico, la política de una familia un hijo y el desarrollo de distintas zonas del país ha achicado la fuerza laboral inmigrante (unos 135 millones de personas) que abarataba la mano de obra.



Esto no quiere decir que no vaya a haber tensiones en el camino. Delta electronics decidió hace dos años crear una nueva compañía en Wuhu, provincia de Anhui, donde el salario es poco más de la mitad de lo que pagan en su casa matriz, Wujiang.



Más que irse, las multinacionales pueden cambiar de lugar en la misma China para seguir gozando de la mano laboral superbarata.

09/06/2010

crise economica

Espanha enfrenta greve de funcionários públicos contra cortes de salários

Paralisação de 24 horas foi convocada por três centrais sindicais após pacote do governo para corte de gastos.

BBC
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Mais de 2,5 milhões de funcionários públicos na Espanha entraram nesta terça-feira em uma greve de 24 horas em protesto contra o pacote econômico do governo que reduziu os salários dos servidores.
Hospitais, aeroportos, escolas e presídios funcionam com menos da metade dos trabalhadores.
Serviços de transporte público, saúde, educação, segurança e justiça estão sendo cobertos pelos governos regionais, mas os setores dependentes da administração central prometem parar durante todo o dia.
Segundo os sindicatos, os aeroportos espanhóis funcionam com 36,5% do pessoal, escolas públicas com 23%, e os trens com 50% dos serviços.
A greve convocada por três centrais sindicais (CO, UGT e CSI-CSIF) é a primeira ameaça cumprida pelos servidores desde que o Parlamento aprovou a diminuição dos salários (5% em média) e o congelamento das aposentadorias em 2011.
O pacote aprovado há duas semanas prevê uma economia de 15 bilhões de euros (cerca de R$ 34 bilhões) por ano.
Apesar disso, a agência de avaliação de risco Fitch anunciou no dia seguinte o rebaixamento da classificação da dívida espanhola para um nível que ainda indica um baixo risco de calote - mas que demonstra que há um temor sobre a capacidade do país de pagar seus compromissos financeiros em dia.
Sucesso'
O primeiro boletim emitido pelas centrais sindicais indicou que durante a madrugada (o protesto começou à meia-noite local, 19h00 de segunda-feira em Brasília) 80% dos trabalhadores aderiram à greve.
Os setores com maior participação durante as primeiras horas são os de limpeza, bombeiros e Justiça.
Os canais públicos de televisão estão sem notícias desde as 0h15 locais e exibem apenas um comunicado afirmando que a programação do dia estará alterada pela greve.
Para deputados e senadores do Parlamento espanhol, o trabalho também estará reduzido nesta terça-feira.
Apesar das previstas sessões de votações, os serviços do Congresso e do Senado funcionam com 28% do pessoal.
Nos ministérios, a paralisação é de mais de 80%, segundo os sindicatos. O Ministério da Fazenda, que recolhe nesta temporada as declarações de renda, terá apenas 8% dos trabalhadores durante o dia.
Os sindicatos convocam ainda a população para diversas manifestações nas principais cidades da Espanha e mais de cem assembleias de trabalhadores.
Medidas 'injustas'
Em nota à imprensa, as centrais Comissões Operárias e União Geral de Trabalhadores justificam a greve e afirmam que as medidas do pacote do governo para superar a crise econômica são "injustas, desequilibradas e antieconômicas".
E ainda ameaçam o governo com uma greve geral em caso de não haver retificação no pacote.
O ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, disse no dia anterior à greve que respeita a decisão dos servidores, mas considera as medidas aprovadas "muito necessárias".
Além da Espanha, outros países enfrentam a crise e a protesto dos trabalhadores. As primeiras manifestações surgiram na Grécia há um mês.
Os ministros de Economia da União Europeia tiveram que aprovar uma ajuda financeira para salvar o país da quebra, defender o euro e tentar impedir que a crise continuasse contaminando a região.
Os governos de outras nações da zona do euro, como Espanha e Portugal, e a Hungria, que estava em processo de se adotar a moeda comum europeia, afirmaram que suas economias não são como a grega e podem sair da crise sem ajuda.

25/05/2010

Viva a luta dos trabalhadores e do povo grego!

A rebelião dos trabalhadores gregos contra o brutal plano de ajuste capitalista comove a Europa. O mesmo começam a fazer e pela mesma causa os trabalhadores espanhóis contra o governo social-democrata de Rodríguez Zapatero.



Na Grécia, as greves gerais se sucedem com combativas mobilizações de massas que incluíram até policiais e militares uniformizados.



O governo social-democrata helênico encabeçado por Yorgos Papandreu ganhou recentemente as eleições prometendo aumentos salariais. Hoje pretende impor um brutal plano de ajuste que lhe ditaram o FMI e o Banco Central Europeu, com o apoio de Obama e do imperialismo norte-americano para “salvar” da quebradeira o Estado grego e pagar ao setor privado os empréstimos.



O endividamento de Grécia com os bancos supera o valor do seu PIB. Para que possa pagar aos banqueiros, principalmente alemães, devem emprestar outros 120 bilhões de euros. Para que dêem esse empréstimo gigantesco exigem do governo grego um terrível plano de ajuste que prevê: congelamento de salários e pensões da função pública durante 5 anos; supressão do equivalente a dois meses de salário ao ano de todos os empregados públicos; aumento do IVA de 19 a 23%; aumento dos impostos nos combustíveis, bebidas alcoólicas e tabaco; anulam-se aposentadorias por trabalhos insalubres antes dos 60 anos; aposentadoria com 40 anos de contribuição; re-cálculo diminuindo as aposentadorias em base a média dos ingressos da vida laboral e não dos últimos anos; salário de miséria para jovens e desempregados de longa duração que consigam trabalho; privatização de transportes, energia e outras; ajuda aos bancos; flexibilização laboral facilitando demissões.



O FMI (Fundo Monetário Internacional), justamente odiado pelas massas em todo o mundo por seus planos de ajuste na América Latina e no Leste Europeu que provocaram gravíssimos desastres sociais, agora é o encarregado de supervisionar o plano de fome na Grécia, junto ao Banco Central Europeu, ambos atuando por conta do setor privado agiota, cujo único interesse é tirar o máximo possível da crise grega.



A política oficial de ajudar aos bancos na crise de 2008, assim como as políticas fiscais adotadas há décadas favorecendo aos ricos e às grandes empresas, que eliminaram ou baixaram substancialmente impostos sobre a renda e o patrimônio, foram os principais causadores do enorme déficit público e do super endividamento estatal que agora se pretende que paguem os trabalhadores.



Os empresários e os acionistas engordaram com dividendos, deduções fiscais de todo tipo e remunerações astronômicas que lhes permitiram adquirir fortunas incríveis. A Igreja Ortodoxa grega tem gigantescas propriedades e não paga impostos, enquanto seus bispos vivem como reis. Todos eles devem pagar a crise.



Grécia é uma pequena proporção, 2,5% da economia da União Européia. Mas o problema não se circunscreve nem termina na Grécia, ao contrário apenas começa. A maioria dos Estados europeus, assim como Estados Unidos e Japão, tem dívidas em proporção a sua economia, similares a grega, só que enormemente maiores em quantidade. Grécia funciona como um grande laboratório, tanto sobre as medidas econômicas que estão aplicando contra os trabalhadores, como da capacidade das massas para enfrentá-las.



A mesma medicina da Grécia agora está tentando aplicar o governo de Rodríguez Zapatero na Espanha, rebaixando os salários dos trabalhadores públicos e outras medidas de ajuste. Os governos chamados falsamente socialistas querem que a crise a paguem os trabalhadores. Iguais caminhos podem tomar os governos da Itália, Portugal, Grã Bretanha, França… E se o ajuste é derrotado na Grécia será duplamente mais difícil o impor imediatamente no resto da Europa.



Os trabalhadores da Grécia se negam, com toda a razão, a pagar a crise do sistema capitalista. Uns 70% se manifestaram contra pedir empréstimo ao FMI e fazer sacrifícios. Isto desmente a suposta popularidade que permitiria fazer o que quer o governo de Papandreu. E alguns meios dizem que a indignação popular pode pôr em perigo a continuidade do governo.



Na última semana as manifestações e ações de protesto se multiplicaram. Saíram à rua desde os lixeiros até empregados de linhas aéreas, marinheiros, membros da Polícia e do Exército - estes últimos têm proibida a associação sindical. O sindicato Adedy, que representa cerca de meio milhão de empregados do setor público, afirmou: “estas medidas são um desastre, levarão a uma recessão mais profunda ou inclusive a falência do país. O Governo está roubando nossos salários e nossas aposentadorias”.



A batalha dos trabalhadores gregos, espanhóis e europeus interessa a todos os trabalhadores do mundo. O mesmo plano de ajuste que querem impor hoje na Grécia e Espanha, tratarão de impor amanhã em outros países do mundo. Já estão tentando impor novamente planos de ajuste em vários países latino-americanos. Há dos bandos. De um lado os governos a serviço das multinacionais, os bancos e o imperialismo, pretendem que sejamos os trabalhadores e povos oprimidos os que paguemos a crise causada pela sede de lucro dos capitalistas. De outro lado estamos os trabalhadores e povos oprimidos do mundo que, atropelando as direções sindicais burocráticas, temos demonstrado que podemos lutar e derrotar os planos de ajuste do FMI.



Na América Latina os governos seguem pagando as dívidas externas que logo são usadas pelo imperialismo para salvar bancos e multinacionais e dar “empréstimos” como agora o do FMI à Grécia. Devemos exigir aos governos que se dizem “progressistas” e “populares” e que inclusive, criticam os ajustes do FMI, como Lula, Chávez, Evo Morales (que enfrentou uma greve geral da COB), Cristina Kirchner, Correa ou Mújica, que deixem de pagar as dívidas externas para realmente mostrar que apóiam aos povos da Grécia, Espanha ou Portugal.



Convocamos a nossos irmãos trabalhadores de todos os países a se unir, a se solidarizar com a luta dos trabalhadores gregos, porque é a luta de todos. Em primeiro lugar é a luta dos trabalhadores da União Européia, porque se o ajuste se impõe na Grécia, irão aplicar planos similares em cada país. Mas se o plano de ajuste e o governo grego são derrotados, em todos os lados estaremos mais fortes para impedir estes planos do imperialismo e do FMI, e se aproximara a hora de uma solução dos trabalhadores à crise, terminando com a exploração capitalista. Neste processo de lutas, o desafio dos trabalhadores europeus e de todo o mundo é o de conformar partidos revolucionários que realmente os representem e lutem conseqüentemente por seus direitos, pois os atuais partidos que se dizem de esquerda estão na realidade do lado dos capitalistas.



Exigimos de todas as centrais sindicais, aos sindicatos e a todas as organizações operárias e populares do mundo, que se organizem ações de solidariedade e uma jornada internacional de apoio aos trabalhadores da Grécia, Espanha e do resto da Europa.

10/05/2010

A luta de classes na Grécia

O conceito marxista de luta de classes foi - e em muitos casos ainda é - muito criticado pelos revisionistas de todo o tipo e pelos pós-modernos. Para o azar deles a roda da História seguiu girando e mostrou quem estava com a razão.

A crise financeira atingiu em cheio a Grécia. O Governo disponibilizou 28 bilhões para salvar os banqueiros em apuros. Agora quer cortar 30 bilhões da população. Esta resiste! O que é isso senão uma luta dos ricos contra os pobres? Ou seja, uma luta de classes?!

As mobilizações na Grécia se tornaram massivas e têm deixado apreensivas as classes dominantes no mundo inteiro, e em especial na Europa, onde outros países passam por dificuldades semelhantes. Temem que esse "contágio grego" se alastre pelo continente.

A situação também mostra que as classes dominantes não têm outro modelo de capitalismo para apresentar. Diante da crise do neoliberalismo só conseguem oferecer mais neoliberalismo! É o ajuste que pretendem impor ao povo grego: corte de salários, ataques à previdência, às leis trabalhistas, etc.
Isso mostra que, diferente do que alguns chegaram a acreditar quando estourou a crise financeira, o neoliberalismo não morrerá sozinho! Há uma incapacidade estrutural das classes dominantes, advinda do atual estágio de desenvolvimento e funcionamento das forças produtivas e alcance global do modo de produção capitalista, em oferecer outro modelo de capitalismo. Essa incapacidade se expande para praticamente todos aqueles que encontram-se comprometidos com o sistema. É o caso da social-democracia, que apesar de ter sido eleita pelo desgaste do governo neoliberal de Karamanlís, busca a todo o custo impor um ajuste que é... neoliberal!

A luta que se trava nas ruas da Grécia é para saber quem vai pagar pela crise capitalista. As classes dominantes querem jogar a conta nas costas das classes subalternas. Estas últimas negam-se a pagar a conta de uma crise que não criaram. Ainda não se sabe quem sairá vitorioso dessa queda de braço. Mas não se pode negar que estamos diante de uma luta de classes. Marx, mais uma vez, manda lembranças!

100 mil vão as ruas de atenas protestar contra a crise

Ao fim da manhã de quarta-feira, foi divulgada a notícia da morte de três pessoas durante um incêndio num banco no centro de Atenas. Apesar do responsável pela polícia não ter apontado as causas, a imprensa internacional afirma que o incêndio ocorreu após um ataque com cocktails molotov lançados para o interior do edifício.

Logo pela manhã, cerca de 100 mil pessoas manifestaram-se em vários pontos da capital grega em protesto contra as medidas de austeridade negociadas pelo governo, FMI e Banco Central Europeu. O centro de Atenas converteu-se no palco de confrontos com a polícia, lançamento de cocktails molotov, muitas montras partidas e graffitis apelando à resistência contra as medidas do governo de Giorgos Papandreou.

O protesto alastrou a outras cidades, como Salónica, onde se manifestaram 20 mil pessoas e se registaram igualmente confrontos com a polícia grega.

A greve está a ter uma grande adesão, com a paragem dos transportes aéreos, marítimos e ferroviários, bem como da maioria das escolas e serviços públicos. Também a imprensa aderiu a esta greve geral, interrompendo os serviços noticiosos de rádio e TV. Em Atenas, os transportes públicos funcionaram com horário reduzido, de modo a permitir a chegada dos manifestantes aos locais dos protestos convocados pelas centrais sindicais no centro da cidade.

"Este comício teve o dobro das pessoas do maior comício alguma vez realizado na Grécia", disse Spyros Papaspyros, do sindicato da função pública ADEDY. "Amanhã à tarde vamos protestar em frente ao Parlamento e se o governo não nos ouvir, pode contar com mais acções de luta na próxima semana", acrescentou o sindicalista citado pelo Wall Street Journal.

O plano do FMI para financiar a economia grega, avaliado em 110 mil milhões de euros, prevê medidas de corte na despesa pública grega no valor de 30 mil milhões, atingindo fortemente os salários e as pensões, a subida imediata do IVA para 23% e a liberalização das leis laborais. O parlamento vai votar esta quinta-feira o pacote de austeridade do governo socialista.

05-Mai-2010

16/03/2010

Vitória esmagadora do povo islandês

Numa vitória esmagadora, 93% dos eleitores da Islândia disseram "Não" ao pagamento de prejuízos provocados pela falência de um banco privado. O referendo foi realizado no sábado, 6, e é o segundo da história do país. O povo islandês rejeitou assim as pressões impostas pelos governos britânico e holandês, bem como a atitude servil do seu governo e do seu parlamento que em Dezembro último assinaram um acordo comprometendo-se a pagar 3,9 mil milhões de euros aos credores do banco falido. Assim, a falência da ideologia neoliberal concretiza-se também no terreno prático. A pequena Islândia dá um exemplo a todos os países do mundo submetidos à extorsão. As vítimas da sanha do capital financeiro e imperialista começam a reagir.

13/03/2010

A GREVE CONTINUA: EM DEFESA DO EMPREGO, DO SALÁRIO E POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO!
      
Nós, da UNIDOS PRÁ LUTAR, entendemos que a greve é o principal instrumento de luta dos trabalhadores. É verdade que não é o único, todavia, nós, da educação, já utilizamos todos: paralisações parciais, ações jurídicas, abaixo-assinado etc. Diante da violência dos ataques do governo, não nos restou outra saída: a greve por tempo indeterminado!
      
Felizmente, a categoria respondeu ao nosso chamado. Em visitas às escolas verificamos que a maioria dos companheiros (as) tem a disposição de lutar contra a truculência do governo Serra/ Paulo Renato.
       
Os ataques foram  muitos e a nossa greve é uma resposta a tais ataques!
       
Entendemos que a nossa greve, que já é forte, deve continuar. O governo de forma mentirosa tenta criminalizar a categoria e o sindicato, uma forma de nos intimidar.  Afirma na mídia que a greve tem índice mínimo de adesão. Ora, se está tão preocupado é porque a categoria entendeu que é a hora de se levantar contra as políticas de Serra e Paulo Renato. Mas, não vamos nos curvar!
       
Nossas reivindicações  são claras: 
     
Isonomia salarial e reajuste salarial imediato!
     
 Pelo fim das provas para os professores OFAs!
     
 Pelo fim da prova de “mérito”!
    Pelo fim da “escolinha para efetivação” – concurso público classificatório!
      Pelo fim da política de bonificação! 
       
A nossa greve não é greve de um dia. Cada escola funcionando é um ponto a favor do governo. Que os grevistas possam, de fato, organizar as suas escolas, participar dos comandos de greve, no sentido de convencer o professor que ainda se mantém em sala que se junte à nossa luta! Cada escola paralisada é um ponto a nosso favor!
       
Em defesa da educação pública: unidade entre professores, funcionários, pais e alunos! 

PRÓXIMA ASSEMBLÉIA: 19 de março de 2010

02/03/2010

artigo de opinião

A crise e as leis trabalhistas

Jorge Nogueira*

Os bilhões e bilhões jogados para os capitalistas à beira da falência levou muitos à acreditar que com a crise financeira às classes dominantes adotarão, espontâneamente, um modelo alternativo ao neoliberalismo. Porém, uma simples observação demonstra o contrário. Infelizmente!

As nacionalizações dos bancos privados em apuros têm sido acompanhadas da ressalva de que tão logo passe a tempestade eles serão privatizados novamente.

Por esse motivo alguns autores têm afirmado que a atual intervenção do Estado na economia na verdade trata-se de uma intervenção do mercado no Estado. É o mercado se utilizando dos recursos estatais de forma emergencial para salvar-se.

As classes dominantes no Brasil não fogem à lógica internacional e vislumbram na crise uma oportunidade para aprofundar o neoliberalismo. Assim, aproveitando-se da agonia de milhares de trabalhadores com as demissões no país, o empresariado se articula para mais uma vez alvejar a legislação trabalhista.

É erigido novamente o argumento de que a simples flexibilização de tais leis acarretaria em novos postos de trabalho e que os empregos atuais estariam mais seguros. Nada mais falacioso!

A eficácia de tal medida já foi testada em tempos de calmaria econômica. Muitos dos países que flexibilizaram a sua legislação tiveram aumento do desemprego e não o contrário. O próprio empresário influente, Dagoberto Lima Godoy, entusiasta defensor da medida, reconheceu que"as "flexibilizações" postas em prática por diversos países não têm logrado resultados comprovados na luta contra o desemprego, que perdura elevado mesmo nos países onde mais avançaram as reformas nesse campo." [1]

"Mas agora seria um momento diferenciado, de crise", pode embarcar algum agoniado de forma inocente.

 A este cidadão é preciso esclarecer que a onda de desemprego causada pela crise não tem sido menos maligna nos países de legislação flexível. A Espanha, por exemplo, é o país da União Européia onde mais cresceu o desemprego com a crise: 46,93% em apenas um ano. [2]

Em janeiro de 2009 a taxa de desocupados chegou a 14,8% no país que tem uma das leis trabalhistas mais flexíveis da Europa. [3]

Períodos de crise são muito delicados. É preciso estar atento ao que nos é proposto. Ainda mais quando parte dos que se beneficiam do sistema e desejam se manter como classe privilegiada.

[1] Godoy, Dagoberto Lima. "Reforma Trabalhista no Brasil: princípios, meios e fins" - São Paulo: LTr, 2005, p.26



*Jorge Nogueira é servidor público e estudante de Ciências Sociais da UFRGS


FONTE: http://blogdomonjn.blogspot.com/