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18/03/2010

GM do Brasil quer impedir solidariedade ao Haiti


Empresa quer proibir doações de seus trabalhadores às vítimas do terremoto. O caso será discutido nesta quarta-feira (17) pela OAB e OIT, em Brasília

17/03/2010


Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região


Numa atitude arbitrária e na contramão das ações de solidariedade ao Haiti, a General Motors do Brasil anunciou que vai bloquear a doação feita por seus funcionários aos trabalhadores haitianos. A doação faz parte da campanha que a CONLUTAS e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos estão realizando, junto aos trabalhadores, para desconto único de 1% dos salários, direto em folha de pagamento.

O caso será discutido nesta quarta, dia 17, pelo presidente nacional da OAB (Ordem das Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, e pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e membro da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Lélio Bentes.

Os trabalhadores da GM já haviam aprovado a doação, em assembléias com mais de seis mil votantes realizadas no dia 11 de fevereiro. A estimativa é que a arrecadação, somente entre os funcionários da montadora, ficaria em torno de R$ 300 mil. O dinheiro seria enviado diretamente às organizações operárias e populares, como a Batay Oyvryie, para que o povo haitiano possa, soberanamente, reconstruir seu país. É como parte desta campanha que a C ONLUTAS já enviou mais de R$ 160 mil ao Haiti.

Mas, na última semana, a direção da General Motors informou ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região que não efetuará o desconto, apesar da decisão soberana dos trabalhadores. Não há nenhum empecilho técnico para a efetivação deste desconto.


Na reunião, estará em discussão a postura da GM por suposta retaliação antissindical. O problema será debatido no gabinete do ministro Lélio Bentes, membro da Comissão de Peritos em Aplicação de Normas Internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A reunião foi agendada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Subseção da OAB de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, e também será acompanhada pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Vivaldo Moreira Araújo.

Em nota, a CONLUTAS repudia a postura da GM. “A postura da multinacional norte-americana é inadmissível, vergonhosa. Acima de tudo, é totalmente autoritária, indo contra os interesses dos trabalhadores e do povo haitiano. Vale ressaltar que a montadora é hoje controlada majoritariamente pelo governo dos Estados Unidos, que, intensificou a ocupação militar no Haiti após o terremoto”. (veja nota completa abaixo)


O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a CONLUTAS continuarão exigindo que a empresa respeite a decisão dos trabalhadores e o povo do Haiti, efetuando o desconto.

 NOTA OFICIAL


O terremoto que atingiu o Haiti há dois meses deixou cerca de 300 mil mortos e um rastro de destruição em um dos países mais pobres do mundo. As cenas de destruição emocionaram e trouxeram um grande sentimento de solidariedade internacional, que impulsionaram campanhas em várias partes do mundo para ajudar o povo haitiano.

A CONLUTAS e outras organizações vêm fazendo no Brasil uma grande campanha de solidariedade aos trabalhadores do Haiti. O objetivo é levar diretamente às organizações operárias e populares, como a Batay Oyvryie, o auxílio necessário para que este povo lutador possa, soberanamente, reconstruir seu país.

Ao mesmo tempo denunciamos a ocupação militar no país, mantida pela ONU sob o comando do Brasil, e exigimos a retirada das tropas brasileiras e dos outros países. Afinal, o Haiti não precisa de ocupação militar e sim de remédios, médicos, comida e recursos.

É como parte desta campanha, que já enviou mais de R$ 160 mil ao Haiti, que no dia 11 de fevereiro, os trabalhadores da GM de São José dos Campos aprovaram, em assembleias com mais de seis mil trabalhadores, a doação de 1% de seus salários, a ser descontado diretamente na folha de pagamento em uma única vez.

Esta histórica decisão de solidariedade internacional também aconteceu em várias outras empresas metalúrgicas da região e pode totalizar uma arrecadação superior a R$ 300 mil.

Entretanto, nesta semana, a direção da General Motors do Brasil informou ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região que não efetuará o desconto, apesar da decisão soberana dos trabalhadores.


A postura da multinacional norte-americana é inadmissível, vergonhosa. Acima de tudo, é totalmente antidemocrática indo contra os interesses dos trabalhadores e do povo haitiano.

No momento em que até mesmo empresas multinacionais dizem também estar fazendo “campanhas humanitárias” em prol do povo haitiano, a GM quer impedir a ajuda livremente decidida pelos seus funcionários. Vale ressaltar que a montadora é hoje controlada majoritariamente pelo governo Obama, que enviou milhares de soldados ao Haiti após o terremoto, intensificando a ocupação militar.

Não há nenhum empecilho para a efetivação deste desconto, afinal, em diversas ocasiões são feitos descontos sindicais ou de outra espécie diretamente na folha de pagamento, sem nenhuma dificuldade técnica para isso.

A postura da GM merece ser repudiada por todas as organizações e personalidades democráticas, sindicais e populares do país e do mundo.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a CONLUTAS continuarão exigindo que a empresa respeite a decisão dos trabalhadores e o povo do Haiti, efetuando o desconto.

Conclamamos todas as forças democráticas que estão solidárias ao povo haitiano a se somar a esta campanha, se posicionando perante a empresa e a sociedade.





SINDICATO DOS METALÙRGICOS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E REGIÃO

CONLUTAS – COORDENAÇÃO NACIONAL DE LUTAS


FONTE: BRASIL DE FATO

12/03/2010

Ex-ministro implicado em assassinatos em massa é candidato de Uribe

Ex-ministro implicado em assassinatos em massa é candidato de Uribe

O ex-ministro colombiano de Defesa, Juan Manuel Santos, foi designado por Álvaro Uribe, na segunda-feira, dia 8, como candidato presidencial oficialista para as eleições de 30 de maio próximo.

Santos, braço direito do atual presidente, tinha anunciado sua intenção de concorrer ao cargo logo depois que, no dia 26 de fevereiro, a Corte Constitucional da Colômbia impediu uma segunda reeleição de Uribe, ao rechaçar uma lei que convocava de forma fraudulenta um referendo com essa finalidade.

O candidato de Uribe ocupou o Ministério de Defesa durante três anos e teve que renunciar em maio de 2009, quando não conseguiu sustentar a prática, criada por ele, dos "Falsos Positivos", ou seja, da utilização de corpos de humildes camponeses, e jovens moradores de regiões do interior da Colômbia, assassinados por setores do exército ou por grupos de paramilitares, e apresentados como guerrilheiros mortos em supostos combates.

"A Juan Manuel Santos esperam vários processos penais, por sua cumplicidade com os paramilitares das chamadas AUC (Autodefesas Unidas de Colômbia), sendo que são os próprios mafiosos do tipo de Salvatore Mancuso e Carlos Castaño que a reconhecem, e pela acusação que a Corte Penal Internacional lhe abrirá pela violação do território equa-toriano, onde torturaram, assassinaram e abandonaram feridos", assinalou a senadora Piedad Córdoba, comentando a candidatura.


FONTE: France Press